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Rayanne Azevedo

Rayanne Azevedo
Publicado dia 08 de mar de 2019 às 18:51

Seminário trata sobre os processos de estresse dos peixes

Matéria retirada do antigo blog do ADAPTA em setembro de 2018.

Seminário trata sobre os processos de estresse dos peixes

Na segunda-feira, 10 de setembro, o auditório do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/ADAPTA) recebeu mais um dos seus seminários semanais. O convidado da semana foi o doutor Juan Miguel Mancera (UCA) com o tema: “Os peixes sofrem estresse? Implicações econômicas para a aquicultura”.

Doutor Mancera em seu seminário.

Recebendo o apoio do Ministério da Ciência e Inovação, Universidades do Governo Espanhol e empresas voltadas à aquicultura, o doutor Juan Mancera da Universidade de Cadiz (UCA) iniciou as pesquisas há 20 anos com o foco em dois pontos, sendo o primeiro voltado para as ciências básicas, que consistia em observar a reação do peixe sob efeito de estresse.

O outro ponto está relacionado a aplicação da informação, como o doutor Mancera explicou: “O aspecto aplicado consiste na possibilidade de utilizar o conhecimento gerado à prática aquícola e, assim, contribuir para o desenvolvimento econômico do meu país”.

O seminário tratou sobre os processos de estresse dos peixes, onde Mancera exibiu os conceitos voltados para a tensão, regulação endócrina, alterações fisiológicas, que induzem a ativação do sistema de estresse em variados processos fisiológicos em peixes de viveiro (seu crescimento, reprodução, sistema imunológico entre outras variáveis), e mecanismos para moderar o estresse. Os principais peixes que o grupo de Mancera trabalha na Espanha são: sargos (Sparus aurata), linguado (Solea senegalensis) e corvina (Argyrosomus regius).

A respeito das técnicas metodológicas para a pesquisa, Mancera relatou da seguinte forma: “Nosso grupo de pesquisa aborda o problema do estudo do sistema de estresse de um ponto de vista global, isto é, usando diferentes abordagens metodológicas para estudar o processo de estresse em teleósteos: estudos de crescimento, análise de atividades enzimáticas por técnicas bioquímicas, estudos de expressão gênica, entre outros”, comentou Mancera.

De acordo com Mancera o objetivo de sua pesquisa era compreender o sistema de estresse em teleósteos (peixes ósseos): “Além disso, nosso objetivo é aplicar os conhecimentos adquiridos sobre peixes de aquicultura, com o intuito de atenuar os níveis de estresse dos peixes na piscicultura, aumentando seu bem-estar animal e, consequentemente, os benefícios econômicos da empresa de aquicultura”, contou.

Até o momento, Mancera e colaboradores puderam alcançar três pontos principais, como o próprio pesquisador explica: “Em um primeiro ponto, alcançamos uma série de ferramentas metodológicas específicas (clonagem de fatores e hormônios envolvidos no eixo do estresse) de diferentes espécies para o estudo desse processo; por seguinte, analisamos o efeito de diferentes fatores sobre a ativação do sistema de tensão nestas espécies e o seu impacto sobre o processo de crescimento, metabolismo e osmorregulação e, por último, estamos testando diferentes opções para reduzir os níveis de estresse em peixes de viveiro e, em paralelo, aumentar o bem-estar deles”, contou.

Por fim, Mancera explica o que pretende para o futuro de suas pesquisas: “Espero e confio que os conhecimentos adquiridos possam ser transferidos para o setor da aquicultura, com o objetivo de melhorar a atividade aquícola. Além disso, estamos nos concentrando no estudo das chamadas dietas funcionais para melhorar a qualidade dos peixes cultivados, aumentando seu crescimento e bem-estar animal”, concluiu.

Os doutores Adalberto Val e Juan Mancera.