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Izabel Maria Bezerra dos Santos

Izabel Maria Bezerra dos Santos
Publicado dia 09 de set de 2019 às 23:24

Trabalho colaborativo é importante na identificação da diversidade de anfíbios da Amazônia

Amazônia brasileira concentra mais de trezentas espécies identificadas entre cecílias, salamandras e sapos

Trabalho colaborativo é importante na identificação da diversidade de anfíbios da Amazônia

Rã "bilígue" encontrada na Fazenda Taperinha, no município de Santarém, Pará. Ela recebeu o nome de Amazophrynella bilinguis por cantar de duas maneiras distintas. Foto: Reprodução/A P Lima/Sapoteca-Inpa

A Amazônia brasileira é a região com o maior número de anfíbios em todo o mundo, são mais de 300 espécies identificadas entre cecílias, salamandras, sapos, rãs e pererecas, além de muitas outras a serem descritas. O assunto foi tema do seminário semanal do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (Leem) ministrado pelo pesquisador Igor Kaefer, um dos maiores especialistas do Brasil nesses animais. Sob o título "Formas, cores, genes e sons revelam a diversidade de anfíbios da Amazônia", ele falou aos alunos sobre conservação, identificação e estratégias para chamar a atenção para os anfíbios.. Assista ao vídeo completo.

"Um dos mecanismos que fazem com que a Amazônia apresente um grande número de anfíbios é o mesmo que favorece a diversidade biológica nos trópicos, que, em geral, têm mais espécies. Entre estes fatores estão a alta incidência solar, que proporciona mais energia ao ambiente e sustenta mais níveis tróficos, ou seja, mais níveis de alimentação. O clima também colabora, porque tem promovido um número muito maior de eventos de especiação do que de extinção ao longo do tempo", explica Kaefer. Brasil, Peru, Equador e Colômbia lideram o ranking de novas espécies descritas recentemente.

A diagnose, que é a descrição do conjunto de características que individualizam uma espécie a partir da taxonomia, é muito importante para o trabalho dos herpetólogos na Amazônia. "Hoje, umas das ferramentas que mais ajudam é o código de barras de DNA por meio do sequenciamento de parte do gene 16S, localizado no genoma mitocondrial. Além disso, a taxonomia integrativa tem um componente interdisciplinar muito forte, o que favorece a popularização da Ciência através do interesse público", acrescenta Igor.

Em Manaus, Igor também promove o "Save de Frogs Day", uma atividade anual realizada com o objetivo de chamar a atenção para a importância ecológica e dos anfíbios. "Essa iniciativa é muito importante, pois muitos anfíbios são ameaçados por atividades humanas como o desmatamento e o aquecimento global. Além disso, um bom relacionamento com a imprensa, o batismo de novas espécies com nomes populares e a disponibilidade de informações de maneira acessível, como a nossa Sapoteca, são fundamentais para o sucesso do nosso trabalho", finaliza.

Sobre o pesquisador

Igor Kaefer é doutor em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Desde 2013 é professor efetivo no Departamento de Biologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) onde atua como coordenador do Comitê Científico de Ciências Biológicas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Zoologia. É integrante do corpo docente e do conselho coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia do Inpa. É editor associado dos periódicos internacionais Anais da Academia Brasileira de Ciências e Herpetology Notes. Membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências no período entre 2015 e 2019. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Tem experiência na área de biologia animal, com ênfase em herpetologia, atuando principalmente nos seguintes temas: ecologia, história natural, comportamento, taxonomia, biogeografia, evolução.