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Izabel Maria Bezerra dos Santos

Izabel Maria Bezerra dos Santos
Publicado dia 08 de out de 2019 às 11:23

Riqueza de espécies de peixes na bacia amazônica segue padrão inesperado

Constatação foi feita por pesquisadores do projeto internacional Amazon Fish, cujo objetivo é construir a maior base de dados de alta qualidade sobre peixes amazônicos

Riqueza de espécies de peixes na bacia amazônica segue padrão inesperado

Em uma única expedição na bacia do rio Javari, cientistas inventariaram 430 espécies, sendo 23 novos registros para a ciência. Na imagem, Erythrinus erythrinus. Foto: Reprodução/Douglas Aviz Bastos-Fapesp


A bacia amazônica concentra a maior diversidade de peixes de água doce do mundo: são 2.257 espécies descritas ou 15% do total conhecido pela ciência para o hábitat de água doce em todo o mundo. No entanto, um novo estudo descobriu que essa grande variedade de espécies está distribuída de modo desigual na Amazônia, seguindo um padrão completamente diferente do esperado.

A constatação foi feita por pesquisadores que integram o projeto de colaboração internacional Amazon Fish, apoiado pela Fapesp, cujo objetivo é construir a maior base de dados de alta qualidade sobre peixes amazônicos.

De acordo com o modelo de distribuição desenvolvido pelos pesquisadores do Amazon Fish, a riqueza de espécies está concentrada a oeste da bacia (lado da nascente) e, uma menor porção, está a leste (onde está a foz).

Liderado por cientistas do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), da França, e o ERANet-LAC, o projeto conta com a colaboração de pesquisadores dos países que abrigam a bacia amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia) e também da Bélgica. Os resultados mais recentes foram publicados na revista Science Advances.

“Pelo padrão clássico, a distribuição da riqueza de espécies nos rios se concentra próximo à foz, onde a vazão de água é maior e, portanto, suportaria uma maior quantidade de espécies. No entanto, nossos dados mostram uma tendência invertida desse padrão para a bacia amazônica. É na porção ocidental (a oeste do Arco do Purus, relativamente próximo a Manaus) em que há maior concentração de espécies. Além disso, mostramos que os peixes não estão igualmente distribuídos na bacia e que os endemismos, por exemplo, estão concentrados na parte alta das grandes bacias, como Negro, Madeira, Xingu, Tapajós – regiões com maior quantidade de cachoeiras e fortemente ameaçadas pela construção de hidrelétricas”, disse Gislene Torrente-Vilara, professora do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora responsável pela Plataforma Amazon Fish, apoiada pela Fapesp.

Leia mais no site da Fapesp.