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Izabel Maria Bezerra dos Santos

Izabel Maria Bezerra dos Santos
Publicado dia 02 de set de 2019 às 23:23

Presença de antibióticos na biota aquática é tema de seminário do projeto Adapta

Medicamento pode provocar perda de biodiversidade e tornar organismos resistentes a determinadas substâncias

Presença de antibióticos na biota aquática é tema de seminário do projeto Adapta

Foto: Reprodução/Shutterstock

Você já perguntou para onde vão os antibióticos que descartamos no lixo? E os efeitos dos resíduos excretados pelo nosso organismo? O destino dessas substâncias foi o tema do seminário promovido pelo engenheiro de pesca Renan Diego Amanajás Lima da Silva, nesta segunda-feira (02), no Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (Leem). Com a apresentação "Construindo a incerteza de um futuro seguro. Como antibióticos interferem sobre a biota aquática?", ele falou sobre a presença de antibióticos em corpos hídricos e o seu impacto na biota aquática. O vídeo completo está disponível no Youtube.

"Os antibióticos são usados na aquicultura de maneira controlada como medida profilática à males que podem afetar a produção, mas essas substâncias também alcançam os nossos rios e igarapés através da descarga de esgoto", explica.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já considera os antibióticos contaminantes emergentes, ou seja, substâncias tóxicas que não são removidas ou eliminadas pelos processos tradicionais de tratamento de água para consumo humano. De acordo com Renan, no Brasil, não existe limite estipulado por lei para a quantidade de antibióticos presentes na água que chega às torneiras dos consumidores.

"Alguns antibióticos ficam na água, outras nas plantas e ainda tem aqueles que ficam nos animais. Cada um retém um pouco de cada tipo. Mas o mais preocupante é a detecção de genes relacionados à resistência de bactérias em organismos que causam doenças no homem, como o vibrião colérico", alerta.

Algumas substâncias como ácidos húmicos, fitoplânctons e outros organismos conseguem retirar o antibiótico da água, mas a maioria circula livremente.

Como consequência, os ecossistemas mais afetados perdem biodiversidade. Uma das soluções para o problema é a redução do consumo desses medicamentos e o inserção de organismos capazes de anular a ação de antibióticos no ambiente.

Sobre o pesquisador

Renan Diego Amanajás Lima da Silva é engenheiro de pesca formado pela Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e mestre em Aquicultura pela Universidade Nilton Lins em livre associação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (UniNilton Lins/Inpa). Atualmente é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (BADPI) do Inpa. Possui experiência na área de engenharia de pesca, recursos hídricos e naturais atuando nos seguintes temas: aquicultura, fisiologia animal (bioquímica e metabolismo), qualidade da água (indicadores e gerenciamento) e etnociência. Estuda as adaptações dos animais aquáticos (desenvolvimento e metabolismo) e tem buscado compreender a influência do ambiente sobre os organismos selvagens e cultivados.