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Izabel Maria Bezerra dos Santos

Izabel Maria Bezerra dos Santos
Publicado dia 12 de ago de 2019 às 23:23

Peixes com maturidade sexual tardia têm mais chances de sobrevivência nos rios

Pesquisa realizada foi realizada com 80 espécies que ocorrem na região de várzea de Manaus a Coaria, no Amazonas

Peixes com maturidade sexual tardia têm mais chances de sobrevivência nos rios

Foto: Reprodução/Sepror-AM

A doutora Cristhiana Paula Röpke foi a palestrante do seminário semanal do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (Leem), na última segunda-feira (12). Na ocasião, ela falou aos alunos dos resultados de uma pesquisa sobre estabilidade populacional de peixes na palestra “História de vida e estabilidade populacional em peixes da várzea amazônica”.

Segundo o artigo "Plant functional traits as determinants of population stability", algumas espécies de peixes são capazes de tamponar a variabilidade ambiental de modo muito mais eficiente que outras e isso parece estar relacionado com certas características do seu ciclo de vida. “Isso acontece porque os indivíduos de certas espécies parecem ser capazes de sobreviver melhor à variabilidade que acontece de ano para ano e manter uma quantidade estável de indivíduos dentro de uma região”, explica Röpke.

“Para os peixes da várzea nós testamos a hipótese de que o maior investimento na condição corpórea dos indivíduos antes de iniciar a vida reprodutiva, é capazes de tamponar os efeitos do ambiente. Com isso, essas espécies sofrem menos oscilações no tamanho da população. Aquelas espécies cujos indivíduos têm a maturidade sexual mais tardia em relação ao tamanho máximo que elas podem atingir, parecem ter menor mortalidade durante as variações interanuais do nível dos rios, o que faz com que o tamanho da população oscile menos ao longo do tempo” explica.

Além disso, a pesquisadora acrescenta que essas populações também acabam garantindo cardumes mais estáveis de um ano para outro e servindo de alimento para as pessoas, muito mais do que as demais espécies que não são capazes de tamponar esses efeitos e ter uma sobrevivência maior.

A pesquisa foi realizada com um conjunto de 80 espécies de peixes de variada importância comercial, que ocorrem em áreas de várzea, em quatro lagos, de Manaus a Coari com o uso de dados de monitoramento de 5 a 15 anos. No entanto, pela falta de informações sobre reprodução muitas espécies importantes comercialmente não puderam entrar no estudo.

Cristhiana também diz que, além desse estudo, as observações realizadas no lago Catalão, no rio Negro, em frente a Manaus, mais a literatura científica, sugerem que indivíduos pequenos são menos capazes de contribuir para a manutenção da população em um cenário de grandes a variações ambientais. “Isso por que, no caso dos peixes fêmeas grandes conseguem, de modo geral, produzir muito mais filhotes e contribuir muito mais para as populações da sua espécie, assim participam de modo mais eficiente para a estabilidade da populacional”, conclui.

Sobre a pesquisadora

Cristhiana Paula Röpke é licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UFMT), mestra e doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Atualmente é bióloga colaboradora da Universidade Federal de Rondônia (UFRO) e pesquisadora colaborador do Inpa. Tem experiência na área de Ecologia, atuando principalmente nos seguintes temas: ecologia de peixes, estrutura de comunidades, resiliência a distúrbios, consequências de mudanças climáticas, ecologia de populações e ecologia reprodutiva.