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Izabel Maria Bezerra dos Santos

Izabel Maria Bezerra dos Santos
Publicado dia 23 de nov de 2019 às 11:13

Descoberta abre caminho para barrar transmissão da malária no Brasil

Pesquisa sugere que bactérias presentes no intestino do mosquito transmissor influenciam o desenvolvimento do parasita causador da doença no organismo do inseto

Descoberta abre caminho para barrar transmissão da malária no Brasil

Pesquisa sugere que bactérias presentes no intestino do mosquito Anopheles darlingi influenciam o desenvolvimento do parasita causador da doença no organismo do inseto e as chances de transmissão para humanos Foto: Reprodução/James Gathany /CDC


As bactérias que formam a microbiota intestinal influenciam processos importantes do organismo humano, como digestão, absorção de nutrientes e defesa contra patógenos. O mesmo tipo de relação está presente na maioria dos animais, inclusive no mosquito Anopheles darlingi, principal vetor da malária no Brasil.

No caso desse inseto, a composição da microbiota intestinal parece determinar a suscetibilidade à infecção pelo Plasmodium vivax – espécie responsável por 90% dos casos de malária no Brasil. Ou seja, quando o mosquito pica um humano doente, ocorre uma interação entre o parasita e as bactérias intestinais do inseto que é crucial para a continuação do ciclo de transmissão da doença.

Esta é a conclusão de um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que foi apresentado nesta sexta-feira (22) em Lyon, na França, durante o simpósio Fapesp Week France. Segundo os pesquisadores responsáveis, a descoberta permite pensar em estratégias para bloquear a transmissão da malária no vetor.

“Descobrimos que, no intestino do Anopheles, a carga parasitária tem influência na composição da microbiota e vice-versa. Após investigar a relação parasita-bactéria mais a fundo, integrando dados da composição da microbiota a análises genéticas referentes à imunidade do mosquito, pretendemos realizar estudos de silenciamento de genes. O objetivo é desenvolver mosquitos imunes ao Plasmodium vivax, ou seja, que não se infectam e, consequentemente, não transmitem o parasita para os humanos”, disse Jayme Augusto de Souza-Neto, professor do Departamento de Bioprocessos e Biotecnologia da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu e coordenador do projeto apoiado pela Fapesp.

Leia a matéria completa no site da Fapesp.