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Izabel Maria Bezerra dos Santos

Izabel Maria Bezerra dos Santos
Publicado dia 22 de jul de 2019 às 22:22

Caiu na rede é peixe: DNA Barcode de peixes na Amazônia

Ferramenta é usada para identificar todas as espécies de organismos do planeta que já tenham tido seus códigos genéticos depositados em bancos de dados de laboratórios no mundo

Caiu na rede é peixe: DNA Barcode de peixes na Amazônia

Descrição de sequência de DNA. Foto: Reprodução/SINITAR - Shutterstock.com


O pesquisador Jorge Porto foi o palestrante desta segunda-feira (22) do seminário semanal do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (Leem), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Com a apresentação intitulada “Caiu na rede é peixe: DNA Barcode de peixes na Amazônia”, ele falou aos alunos presentes sobre a iniciativa que reúne em um banco de dados códigos genéticos de organismos de todo o mundo.

“O DNA Barcode serve para identificar todas as espécies de organismos do planeta que já tenham tido seus códigos genéticos depositados em bancos de dados, redes de laboratórios e projetos que contribuam com a iniciativa Barcode of life data system”, explica Porto. “Esse gigantesco banco de informações genéticas tem utilidade prática desde o trabalho de pesquisadores até para fiscalização de fauna, com vigilância de DNA forense. Também pode ser usada no combate à pirataria, mas isso depende de uma estrutura maior, como laboratório e pessoal especializado.”, acrescenta. 

O DNA Barcode não deve ser confundido com a taxonomia, pois trabalha com descrição de DNA e não de espécies. “Na iniciativa, a genética utiliza um protocolo padrão com uma abordagem integrativa, unindo a taxonomia e a sistemática com informações de genética. Esse é o grande diferencial para entender a biodiversidade de todos os organismos do planeta”, explica.

Há cerca de 30 anos trabalhando com genética Jorge publicou o resultado exitoso de uma pesquisa realizada com o uso de DNA Barcode na região do rio Tapajós, no Pará, na revista científica Plos One, no artigo “DNA barcoding of fish fauna from low order streams of Tapajo´s River basin”.

O artigo mostra como foi realizada a análise combinada que revelou 29 espécies, 21 gêneros e 11 famílias presentes no sistema Tapajós-Xingu usando o DNA Barcode do Citocromo Oxidase I (COI).

O que é DNA Barcode?

DNA Barcode é uma iniciativa mundial na qual estão envolvidos consórcios, bancos de dados, redes de laboratórios e projetos individuais e tem como princípio o uso de um “código de barras de molecular” para a identificação de espécies reconhecidas. “A iniciativa tem uma abordagem de todo tipo de projeto, de baixo para cima, de iniciativas locais e projetos individuas”, explica Jorge Porto. 

O “código de barras” usado para identificação é um fragmento do gene codificador da proteína Citocromo Oxidase I (COI), do DNA mitocondrial, quando aliado a identificação morfológica e aos dados ecológicos-comportamentais, converge para o que se chama de Taxonomia Integrativa, fundamental para alicerçar o conhecimento da biodiversidade amazônica.

Os primeiros passos da DNA Barcode foram dados em 2004, a partir do Consortium for the Barcode of Life (CBOL) do qual surgiu o International Barcode of Life (IBOL). Neste, países de todos os continentes se comprometeram a fazer o sequenciamento de DNA de todos os organismos do mundo.

O Brasil é signatário dessa iniciativa por conta da grande biodiversidade que possui ao mesmo tempo que usa como uma salvaguarda dessa biodiversidade. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é o maior financiador dos projetos do Brazil Barcode of Life (BRBOL).

“O maior desfio para o Brasil é o financiamento da pesquisa, pois ela está basicamente associada à instituições públicas. Já fomos protagonista da iniciativa durante algum tempo, mas perdemos agilidade por falta de financiamento devido a atual situação política e econômica do país”, diz Jorge.

Sobre o pesquisador

Jorge Ivan Rebelo Porto é mestre e doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa, onde atualmente é pesquisador titular. Publicou 40 artigos em periódicos especializados e mais de uma centena de resumos em anais de eventos. Também possui três capítulos de livros publicados. Orienta e coorienta dissertações de mestrado, teses de doutorado, trabalhos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso. Participa de vários projetos de pesquisa, sendo, em alguns casos, coordenador. Já foi Chefe da Divisão de Cursos de Pós-Graduação do Inpa; bolsista PGCT da SECT-AM; atuou no Conselho Diretor da Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Região Norte (Bionorte); e foi diretor técnico-científico da Fapeam. Chefiou o Núcleo do Inpa em Santarém-PA. Hoje, atua na área de Genética, com ênfase em Genômica, Citogenética e Biologia Molecular (na maioria de peixes).